
Imagens analisadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro colocaram em evidência a investigação sobre a suposta ligação de policiais militares com o Comando Vermelho (CV). Vídeos atribuídos ao terceiro-sargento Yuri Luiz Desiderati Ribeiro mostram o agente dançando funk com armas de fogo e gritando o nome da facção criminosa. O material foi localizado durante a análise de dados vinculados ao aparelho do militar e integra o conjunto de elementos reunidos pelos investigadores.
Segundo as apurações, o caso vai além dos registros em vídeo. Uma fotografia encontrada no dispositivo mostra Yuri ao lado de Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha. Os investigadores também identificaram conversas que, segundo a análise policial, indicariam negociações de armas, carregadores e munições com pessoas ligadas à organização criminosa.
A investigação também aponta que o policial teria repassado informações privilegiadas sobre a movimentação de equipes, viaturas e operações de segurança pública a Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels, identificado pelos investigadores como liderança do tráfico em comunidades de São João de Meriti. Essas suspeitas integram uma apuração sobre uma estrutura que, segundo a Polícia Civil, atuava na aquisição, no transporte e na distribuição de drogas e armamentos destinados à facção.
O caso teve origem em outubro de 2023, quando Yuri foi preso em flagrante durante o transporte de mais de 100 quilos de cocaína, na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, ao lado de Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko. A partir dessa ocorrência, os investigadores passaram a aprofundar as apurações sobre uma possível rede de abastecimento do tráfico, com divisão de tarefas e suspeita de participação de agentes públicos.
Na terça-feira (13), uma operação coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes, com participação do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Corregedoria da Polícia Militar, cumpriu mandados contra suspeitos de integrar o esquema. Entre os investigados está o policial militar Eric da Silva Lobato, apontado pela apuração como suspeito de envolvimento no comércio clandestino de armas e acessórios. Yuri, um dos personagens centrais da investigação, foi assassinado a tiros em julho de 2026, em Jacarepaguá. A morte é investigada pela Delegacia de Homicídios da Capital.
As imagens e conversas descritas pelos investigadores constituem elementos de apuração, mas não devem ser confundidas, isoladamente, com uma decisão judicial definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos. O caso levanta questões sobre possíveis desvios funcionais e o uso de informações privilegiadas por agentes públicos em benefício do crime organizado. As defesas dos investigados devem ter espaço para apresentar suas versões, e eventuais responsabilidades dependem da análise das provas e das decisões da Justiça.