
O poeta, jornalista e escritor Crispiniano Neto publicou um cordel em defesa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, no qual utiliza versos contundentes para criticar manifestações que, segundo ele, representam desrespeito à tradição católica e aos símbolos religiosos do país. Com o título marcado pelo apelo “Deixem a Padroeira em paz!”, o texto mistura referências históricas, religiosidade e críticas ao campo político associado ao bolsonarismo.
Na apresentação do cordel, Crispiniano Neto argumenta que a devoção a Nossa Senhora Aparecida ultrapassa as disputas ideológicas entre esquerda e direita, por estar relacionada ao direito de cada pessoa de professar livremente sua fé. O autor recorda que a imagem foi encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul, em 1717, e que Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Padroeira do Brasil pelo papa Pio XI, em 1930. O dia 12 de outubro tornou-se feriado nacional por meio da Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980.
Ao longo das estrofes, o escritor emprega linguagem satírica, expressões ofensivas e acusações políticas para condenar atitudes que considera hostis à Igreja Católica e à devoção mariana. O cordel também menciona o deputado federal Nikolas Ferreira e o senador Flávio Bolsonaro, inserindo o debate religioso no cenário da polarização política nacional. As declarações e acusações presentes no poema são de responsabilidade de seu autor e devem ser compreendidas como parte de sua manifestação política e literária.
Crispiniano Neto também recorre a episódios históricos e a referências à violência contra templos, imagens religiosas e manifestações populares para sustentar sua crítica ao que classifica como autoritarismo e intolerância. A composição assume, assim, um caráter de intervenção pública, utilizando a literatura de cordel, expressão tradicional da cultura nordestina, como instrumento de posicionamento político e defesa do respeito às convicções religiosas.
A publicação recoloca em evidência uma questão relevante para a sociedade brasileira: a necessidade de preservar a liberdade religiosa e assegurar o respeito às diferentes crenças, independentemente de preferências partidárias. Em um ambiente marcado pela polarização, a proteção dos símbolos de fé e o direito à crítica política precisam caminhar junto com a responsabilidade no debate público, sem que divergências ideológicas se transformem em justificativa para intolerância ou ataques pessoais.
Por Crispiniano Neto, poeta, jornalista, escritor, engenheiro agrônomo e bacharel em Direito.